terça-feira, 1 de setembro de 2015

Dilma aposta no PMDB para reduzir deficit no Orçamento


NATUZA NERY
EDUARDO CUCOLO
ISABEL VERSIANI
MARINA DIAS
MARIANA HAUBERT
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

Sob ataque pesado do mercado financeiro e isolado politicamente, o governo apresentou nesta segunda-feira (31) sua proposta de Orçamento para 2016 com um deficit inédito de R$ 30,5 bilhões, apostando no apoio do PMDB para tentar reduzir o rombo no Congresso.

O saldo negativo nas contas do governo projeta um cenário ainda mais sombrio para a economia brasileira no ano vem e reforça a expectativa de que o país perderá em breve o selo de bom pagador das agências internacionais de classificação de risco.
Orçamento 2016

A primeira reação dos investidores foi muito pessimista. A notícia de que o governo apresentaria o Orçamento com deficit derrubou o principal índice da Bolsa brasileira e contribuiu para a alta do dólar durante o dia.

Apesar de o governo ter prometido que o Orçamento apresentaria um retrato mais realista do estado das contas públicas, os números se baseiam numa previsão de crescimento de 0,2% em 2016, enquanto as projeções do mercado indicam queda de 0,5%.

A proposta do governo inclui aumentos de tributos que ainda precisam ser aprovados pelo Congresso e receitas com vendas de ativos que podem não se concretizar, no valor total de R$ 50 bilhões.

O Orçamento também prevê cortes de despesas em programas federais, incluindo o Ciência sem Fronteiras, uma das bandeiras do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Como não haverá dinheiro suficiente para bancar a meta original de superavit primário, a economia necessária para o pagamento dos juros da dívida, o governo agora tentará convencer o Congresso, que é comandado pelo PMDB, a buscar soluções para promover um aumento extraordinário de receitas.

O buraco de R$ 30,5 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), é resultado do fraco desempenho da economia e da desistência do Planalto de recriar um imposto sobre transações financeiras nos moldes da antiga CPMF, que foi extinta em 2007. A forte oposição de políticos e empresários fez cair a única chance de evitar que as contas fechassem no vermelho.

Ministros da presidente Dilma esperam que a Câmara e o Senado possam criar uma contribuição semelhante à CPMF, exclusiva para a saúde e que seria compartilhada com Estados e municípios.
As previsões do governo
SAÍDAS

Horas depois de entregar sua proposta ao Congresso, a própria presidente fez um apelo para que sua base no Congresso ajude a construir "saídas para o rombo fiscal".

"O deficit pode ser eliminado de diversas formas", afirmou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, durante entrevista para explicar a proposta de Orçamento. "Vamos construir soluções para o aumento de receita e diminuição de despesas."

Ele disse que será preciso encontrar caminhos para lidar com questões difíceis como despesas obrigatórias, especialmente os gastos com a Previdência Social, que devem subir de R$ 89 bilhões neste ano para R$ 125 bilhões.

"Isso significa discutir qual é o cenário de evolução do gasto da Previdência, quais são as fontes e usos de recursos para a saúde, qual é a política de longo prazo para o funcionalismo público, que são as principais despesas obrigatórias da União", disse.

Os aumentos de tributos sugeridos pelo governo em sua proposta serão detalhados nesta terça (1º). O principal é a revisão da isenção de PIS/Cofins para computadores, tablets e smartphones, que depende do Congresso.

O governo propõe também que sejam revistos a isenção de IOF nos empréstimos do BNDES para infraestrutura, o IR sobre direitos de imagem e o IPI de bebidas como vinhos e destilados, na fabricação nacional e importação.

FOLHA DE SÃO PAULO

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