sábado, 19 de dezembro de 2015

Meteorologia: Fenômeno El Niño abre possibilidades de mais chuvas no RN

DA REDAÇÃO COM TRIBUNA DO NORTE

Surpresa no interior. Chove há três dias de forma esparsa em alguns municípios e a previsão é de que elas continuem até o dia 26. Blogueiros do Seridó relatavam ontem a ocorrência de uma chuva de 98 milímetros na zona rural de Santana do Seridó e de 75 na sede do município. Também havia registro de chuva em Caicó no inicio da noite e em outras cidades do Seridó. Em Jucurutu, internautas postaram fotos nas redes sociais mostrando ruas inundadas e céu com nuvens escuras em Jucurutu. 
Emanuel AmaralGilmar Bristot lembra que El Niño está enfraquecendoGilmar Bristot lembra que El Niño está enfraquecendo

As chuvas estão sendo provocadas por um fenômeno denominado “vórtice ciclônico.” Em algumas cidades da região oeste potiguar, principalmente, há registro de chuvas desde a última quarta-feira. A distribuição dessas chuvas no território potiguar, no entanto, é irregular e característica desse fenômeno. As precipitações nesta época do ano são conhecidas como “chuva do caju” devido à coincidência com a época de florada dos cajueiros. A água mais quente do Oceano Atlântico contribui para a formação do vórtice e faz chover nas regiões oeste e litoral do Rio Grande do Norte, de acordo com as explicações do serviço de meteorologia da Emparn.
“É um bom sinal — que não tivemos no ano passado — em relação à estação chuvosa do próximo ano para o semiárido nordestino. Embora não seja, por enquanto, suficiente para dizermos se teremos ou não um inverno normal”, ressalta o chefe do setor de meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot.

Entre quarta e quinta-feira, de acordo com a Emparn, choveu em 13 municípios, sendo a maioria no Oeste. Mas, nas redes sociais, moradores de cidades localizadas na região Central potiguar relatam a ocorrência de precipitações nas áreas urbanas e rurais. Em Campo Grande (48,2mm) e Felipe Guerra (45mm) ocorreram as maiores chuvas.

O meteorologista afirma que vem ocorrendo um enfraquecimento de El Niño, e que isso é um comportamento favorável à ocorrência das chuvas para o semiárido no próximo ano, e que a eventual ocorrência de menos chuvas na região Sul do país pode ser um outro aspecto interessante para o Nordeste. “Verificamos boa elevação na temperatura do Oceano Atlântico, atingindo 24 graus, uma elevação fantástica porque em setembro tivemos registros de temperaturas bem baixas. Ou seja, houve em curto intervalo de tempo uma boa elevação da temperatura. Isso é bom”, disse Bristot. Os fóruns entre meteorologistas de vários institutos para discutir o comportamento da estação chuvosa no semiárido não começaram — nessa época do ano os especialista já têm realizado as primeiras rodadas de discussões —, e só devem ocorrer em janeiro.

Para o jornalista Woden Madruga, que acompanha há décadas o inverno no Rio Grande do Norte, as chuvas aliviam o “sal das previsões dos meteorologistas que pintavam, soprados pelos ventos do El Niño, um 2016 tão trágico ou mais do que foi este ano de agora prestes a findar, faltando apenas uma lua e meia.”

Na coluna da TN deste sábado, Woden lembra que os meteorologista nordestinos já admitem mudança em função do enfraquecimento de El Niño.

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