domingo, 18 de agosto de 2013

Mais Médicos” vai reforçar PSF


Roberto Lucena - repórter

Dezesseis municípios do Rio Grande do Norte, incluindo a capital, vão receber, a partir do próximo mês, 43 médicos vinculados ao “Programa Mais Médicos”. Teoricamente, um dos objetivos do Ministério da Saúde (MS) é ampliar o número de profissionais nas regiões carentes do país. Na prática, os gestores da saúde pública esperam que o efeito imediato do programa lançado recentemente seja a melhoria em outra ação do Governo Federal lançada há quase 20 anos, o Programa Saúde da Família (PSF).

De acordo com secretários municipais de Saúde, o principal problema no PSF é o não cumprimento da carga horária exigida aos médicos. O MS preconiza 40 horas semanais divididas em cinco dias. No entanto, não há dedicação exclusiva ao programa. Os médicos não comparecem todos os dias às unidades de saúde e as equipes acabam ficando incompletas. Um mesmo médico, aliás, pode estar ligado a vários PSFs em diferentes municípios. A contratação dos profissionais pelo “Mais Médicos” pode mudar essa realidade.

É o que espera a secretária de Saúde do município de Bom Jesus, a 46 quilômetros de Natal, Maria da Salete Cunha. “Os médicos simplesmente não querem cumprir o horário. A gente acaba ficando sem ter o que fazer. Além deles não cumprirem todas as horas, falta médico que queira o PSF. Com o ‘Mais Médicos’, haverá uma mudança nesse cenário porque o médico terá dedicação exclusiva”, teoriza.

Bom Jesus é um dos 16 municípios potiguares que vai receber os profissionais. Atualmente, o município conta com quatro equipes do PSF – três na zona urbana e uma na zona rural. Na cidade, existe ainda um hospital/maternidade sob administração municipal. Na última quinta-feira, havia médicos apenas em duas das cinco unidades de saúde. O hospital é bem equipado, mas a permanência de médicos no local gera custos muito altos.

Para a diretora da unidade, o cooperativismo dos médicos atrapalha a tentativa de levar atendimento à população. “É muito oneroso para o Município. Os médicos cobram um preço e não há negociação. É aquele valor e pronto. Os médicos fazem uma espécie de cartel que dificulta a contratação”, diz. O plantão de 24 horas na unidade não sai por menos de R$ 1 mil, em dias da semana, e R$ 1,2 mil nos fins de semana. Por causa disso, o Hospital Maternidade Severina Azevedo de Oliveira não conta com médicos nas terças e quintas.

De tão corriqueira, a prática dos médicos não cumprirem a carga horária exigida pelo PSF já se incorporou à rotina das equipes e população dos municípios. Desse modo, os calendários fixados nas unidades de saúde já avisam os dias em que não há atendimento médico. Os demais profissionais – enfermeiras, dentistas e agentes de saúde – recebem a população.

Antes das 10h, na última quinta-feira, o médico responsável por uma das equipes do PSF em Serra Caiada, a 66 quilômetros de Natal, já havia ido embora do posto de saúde. Em outro posto, não havia médico. No primeiro, uma das atendentes afirmou que o profissional teria realizado, no intervalo de menos de duas horas, 35 atendimentos. No outro, o dia era de atendimento exclusivo às mulheres. “Hoje é dia de realizar preventivo. O atendimento médico ocorre amanhã”, avisa a enfermeira Jaqueline Almeida.

Serra Caiada vai receber um médico dentro do “Programa Mais Médicos”. Segundo a coordenadora do PSF no município, Maélia do Nascimento, a dificuldade em coordenar o trabalho está relacionada à contratação de médicos. “É muito complicado. Eles exigem um valor e não aceitam todas as condições. Com o ‘Mais Médicos’ temos a esperança desses problemas serem sanados”, coloca.

A médica selecionada através do programa para trabalhar em Serra Caiada já atua no município. Ela faz parte do PSF e é exemplo de que, como “Mais Médicos”, haverá uma pequena mudança. O número de profissionais continuará o mesmo, mas a dedicação passará a ser, teoricamente, exclusiva. “É isso que esperamos. Que haja essa dedicação e não precisamos ficar procurados médicos em todo lugar”, afirma Maélia.

TRIBUNA DO NORTE

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