quinta-feira, 13 de junho de 2013

Edital prevê R$ 375 mil de gasto com lanche de senador

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

O Senado publicou edital que prevê gastos de R$ 375 mil para abastecer por um ano o chamado "cafezinho do Senado", localizado no plenário da Casa, e que serve lanches para senadores, assessores e convidados.

O edital prevê a compra de 2.000 pacotes de biscoito, mais de 8.000 frascos de adoçantes, 4.800 quilos de presunto e queijo, 2.000 pacotes de pão de forma, além de 2.000 litros de leite, chás e sucos, entre outros itens.

Os gastos com o lanche dos senadores e seus convidados têm custo mensal previsto de R$ 31,2 mil.

Depois de procurado pela Folha, o Senado informou que vai "readequar" o edital porque há "divergência" entre o atual contrato que está em vigor e a última compra, feita no ano passado.

O valor do edital de 2012 foi de R$ 212,8 mil e o Senado informou que até agora já gastou R$ 126,3 mil com a compra de produtos.

Por isso, segundo a Casa, o novo edital será reavaliado embora o resultado do pregão já tenha sido divulgado.

Na Câmara, os deputados pagam pelo lanche consumido dentro do "cafezinho" do plenário desde que a Casa terceirizou o espaço e o cedeu para uma empresa do ramo alimentício.

No edital do pregão, o Senado justifica os gastos ao afirmar que são itens de "primeira necessidade para uso diário", que vão garantir o "bom desempenho das atividades" dos senadores.

A despesa ocorre em meio à reforma administrativa anunciada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que promete uma gestão de "eliminação de desperdícios".

Em maio, a Folha revelou que o Senado mantém serviços como funcionários para fazer check-in e despachar malas dos senadores no Aeroporto de Brasília.

CADEIRA

O Senado também pretende desembolsar R$ 13 mil para comprar uma cadeira de rodas ao senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Aos 90 anos, ele é suplente do ministro Garibaldi Alves Filho (Previdência), que se afastou da Casa há um ano para assumir o cargo no governo federal.

O edital de compra determina que a cadeira tenha seis rodas, assento com elevação elétrica e dois motores.

Segundo o Senado, o pregão ainda não foi homologado oficialmente porque o senador está "testando a praticidade" de uma das cadeiras motorizadas compradas pela instituição, que são utilizadas por visitantes.

Renan também determinou a troca dos três carros que servem a Presidência da Casa por modelos mais novos, que serão alugados mensalmente por R$ 16,8 mil.

O presidente do Senado chegou a autorizar o aluguel de um modelo blindado para servi-lo, mas depois recuou da medida.

Segundo o Senado, os carros estão em uso há mais de 10 anos e a Casa optou por alugar os veículos para não gastar com oficina.

Folha de São Paulo

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