sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ruralistas organizam hoje atos contra demarcação de terras

FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE

Convocados pela bancada ruralista no Congresso, produtores e sindicatos rurais pretendem bloquear rodovias e protestar hoje em várias regiões do país contra a demarcação de terras indígenas.

A Frente Parlamentar da Agropecuária diz que pelo menos nove Estados devem aderir às manifestações. O líder da frente, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), enviou cartas na semana passada "convidando" ruralistas a bloquear estradas.

O texto afirmava que a identificação de áreas indígenas prejudica "legítimos interesses nacionais" e gera "temor em produzir riquezas para o país".

Heinze disse à Folha que manifestantes de cada região vão decidir o melhor modo de protestar e que o objetivo não é fechar rodovias.

A principal manifestação deve ocorrer no interior de Mato Grosso do Sul, centro do conflito que resultou na morte de um índio terena há duas semanas. Milhares de produtores rurais e caravanas devem se deslocar para Nova Alvorada do Sul (120 km de Campo Grande).

Espera-se a presença da maioria dos deputados do Estado e de lideranças ruralistas nacionais, como o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).

A Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul, que promove a ação, divergiu da Frente Parlamentar e diz que não haverá bloqueio do trânsito, para não "prejudicar o direito de ir e vir". A senadora Kátia Abreu afirma que o protesto será "ordeiro".

Uma das reivindicações é o pagamento de indenização a proprietários afetados pela criação de terras indígenas.

Também devem ocorrer manifestações, segundo os ruralistas, em Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Roraima, Pará, Bahia e Minas Gerais.

No Rio Grande do Sul, onde os processos de demarcação foram suspensos pelo governo federal no mês passado, são previstos cinco pontos de protestos.

Um deles será quase no mesmo trecho de rodovia federal onde houve protesto de índios na semana passada.

Heinze nega que a mobilização possa contribuir para elevar a tensão entre índios e fazendeiros --diz que quer apenas chamar a atenção para a causa. "Estamos recomendando todo o cuidado."

A bancada ruralista, que diz contar com o apoio de metade do Congresso, vem elevando o tom contra a política indigenista no país e liderou iniciativas como o pedido de uma CPI da Funai (Fundação Nacional do Índio) e a proposta que transfere do governo para o Congresso a homologação de novas terras indígenas no país.

Folha.com

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